I. COLETIVIDADES! 


O que criaturas subversivas são capazes de movimentar quando juntas pelo desejo de transformar estruturas as quais são submetidas? A resposta está no Manifesto dos coletivos BANDIDA, Batekoo, FudidaSilk, MARSHA! e Travas do Sul. 



MARSHA! MANIFESTO



De tanto olharem pra nossa cara com olhos tortos e desavisados
Os nossos caminhos cruzados por tantos corpos
E tantos mortos
Foi se esgotando a torneira do choro e da paciência
Pedimos com tanta clemência que devolvessem o que sempre foi nosso
E por tanto tempo fizeram-se de desouvidos
Que agora
Quase que sem perceber de onde
A restituição e prosperidade travesti ecoou
Por Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera, Xica Manicongo e tantas outras
Por nós e tantas de nós que já se foram
E outres que ainda estão por vir
Marshamos e revolucionamos rumo ao mundo novo
Travamundo
Boyceterra
Onde o traviarcado impera
E todas as corpas são naturais.

Bem vindes!










Mark


 as

artesãs,

por
 
























Mark


moldes o vestido com flor-de-lis tecer saúde mental com as folhas cozinhar transmutação o jogo americano a árvore figuras processo as camisetas os camisetões faxina fantasia tempo natureza vida travesti cuidado outras formas partes contraste tinta macieira amora nogueira giesta pessegueira tília oleandro castanheira-da-índia castanheira loureiro casca de noz casca de pinho marítimo raiz de ruiva vermelha cochonilha madeira azul conselhos TUDO NOVO com o usado vamos renovar o guarda-roupa VESTIDOS ESTRAGADOS vestido muito largo retalhos colorido uma saia uma chuva de flores sobre um casaco sem vida mil cores a esportiva velhos vestidos: o florido do baú da vovó com velhas roupas de malha a boneca de pano a árvore mosaico natureza morta sementes casinha e flor retratos imaginação.





fudida silk é uma coletiva trans que utiliza da linguagem e ferramentas da serigrafia para expressão e capitalização independente do CIStema. acreditamos na união de forças, agindo enquanto plataforma de criação mútua e múltipla para com nossa irmandade e comunidade. entendendo o estado de emergência e urgência que nossas corpas (antes mesmo do resguardo da terra) estão atravessadas, tem sido necessário redobrar o cuidado para equalização da vitalidade, cultivar a vida das nossas. dando suporte umas às outras. transmutando mutuamente. limpando. curando. transmitindo amor “delas, por elas, para elas”. integradas.


O FUTURO É TRAVESTI O FUTURO É TRAVESTI O FUTURO É TRAVESTI O FUTURO É TRAVESTI O FUTURO É TRAVESTI O FUTURO É TRAVESTI O FUTURO É TRAVESTI


UNIVERSAL É O REINO DAS BIXAS DEUS É TRAVA TRANSLÚCIDA CEMITÉRIO

EDUCAÇÃO TRAVESTI NÃO FODE COM A MINHA ENERGIA

NAS ENCRUZILHADAS TODA TRAVA TEM SUAS ARMAS RESPLANDESCENTE

APOCALÍPTICA











Mark


Batekoo


Mark



A BATEKOO é a criação de um mundo ficcional onde o corpo negro é a totalidade, é o afrofuturo no aqui e no agora.

É o resultado de corpos dissidentes que se unem e criam com suas potências outras realidades materiais, imateriais e imagéticas.

É poder da oralidade quando você escuta a tradicional frase: "RESPEITA AS MINAS,

RESPEITA AS MONAS, RESPEITA AS TRANS, RESPEITA AS GORDAS, RESPEITA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E, INDEPENDENTE DE QUEM VOCÊ É, RESPEITA OS PRETOS!!!".

A BATEKOO é o sentimento que ecoa em cada corpo negro que vibra ao ouvir esses dizeres.


É, sobretudo, insubordinação de jovens que decidiram ser mais do que a sociedade racista disse que deveriam ser.

A BATEKOO é um reflexo da juventude negra, não é uma vanguarda, mas sim um ponto numa linha histórica de luta que antecede a minha existência ou a sua. É a necessidade de mostrar a sociedade que o racismo não venceu, que temos sim potencial de recriar uma história a partir da nossa própria narrativa.

A BATEKOO é um convite a jovens negros para celebrar em comunidade seus corpos dissidentes.

É sobre recriação do mundo e das realidades. É, novamente, sobre afrofuturo.

Um dia, eu Mafalda ouso pensar que a ficção que narramos há de se tornar realidade.

A BATEKOO não é o início e nem o fim, mas parte de um processo grandioso que há de tornar jovens negros personagens principais e agentes ativos de suas próprias histórias.

Mafalda é um pseudonimo do indivíduo Marcela Ramos, artista e gestora cultural independente.


Mark